Processadores 14-bit coloridos?

Em meio a tantos lançamentos do mercado fotográfico, poucos podem ser considerados como verdadeiras revoluções digitais. Muitas vezes, os lançamentos não passam de uma nova “roupagem” e do acréscimo de algumas features de pouca utilidade no dia-a-dia da profissão. Outras inovações, porém, são aquelas que rompem as barreiras e efetivamente contribuem para a melhoria da captura digital.

Com o recente lançamento de algumas câmeras de peso, como a Nikon D300 e a Canon Mark III, percebi que sua maior mudança não era sua “roupagem”, quantidade de megapixels ou capacidade para fotos em seqüência. A maior mudança consiste em um item que é pouco difundido e analisado pela maioria dos fotógrafos: os processadores A/D de 14-bit color. Embora já existam câmeras no mercado como a Hasselblad H3D, com processador de 16-bit, estas máquinas são ainda bastante inacessíveis a maioria dos profissionais. Por este motivo, vamos analisar aqui apenas a evolução que está mais próxima de nosso alcance.

Apesar do pequeno aumento em relação às câmeras anteriores disponíveis no mercado, com processadores de 12-bit, esta pequena diferença de 2-bit é uma verdadeira revolução. A princípio a matemática parece complicada, mas uma câmera que captura arquivos RAW em 12-bit pode produzir apenas 4067 gradações de cinza por componente de cor, enquanto uma câmera com captura RAW em 14-bit pode produzir uma imagem com 16,384 gradações de cinza por componente de cor. Para se ter uma idéia, um arquivo em JPEG que tem 8-bit pode produzir apenas 256 gradações de cinza, independente de sua captura.

Em um arquivo JPEG, as 256 gradações na verdade produzem 16.7 milhões de cores. Antes que você se pergunte se isto é uma mágica, vou explicar: qualquer imagem é formada pelas cores R (Red) G (Green) e B (Blue), que por si só produzem 256 gradações de cinza cada. Os tons de cinza são formados somente quando temos as três componentes de cor exatamente com o mesmo valor na escala que vai do branco ao preto. Quando multiplicamos as escalas de cada componente de cor – 256x256x256, temos um total de 16.7 milhões de cores. Os novos processadores 14-bits, portanto, tem a capacidade de reproduzir bilhões de cores diferentes .

Antes que você se pergunte – “Ah, mas computador de 32-bit tem 16 milhões de cores faz tempo, que história é essa de 8 bits…?” – é importante definirmos alguns conceitos. O termo “bit” é usado para designar a menor quantidade de informação (Digito Binário) em uma máquina, mas seu uso e terminologia dependem da aplicação. Quando dizemos que um computador possui 32 ou 64-bit, estamos nos referindo a sua capacidade de processamento. Já nos processadores de imagem, a denominação “bit” refere-se à capacidade de representação de cada pixel no arquivo de imagem. Quanto mais “bit” temos por componente de cor, maior é a capacidade de gerar nuances e detalhes em uma imagem.

Mas antes de sair correndo para trocar seu equipamento, vamos analisar á alguns outros números interessantes. O olho humano, a melhor máquina fotográfica que já foi inventada, tem a capacidade de distinguir apenas entre 7 e 10 milhões de cores. As revistas, publicações e as modernas impressoras não chegam nem perto disto. A grande maioria dos monitores trabalha em 8-bit, o que torna quase imperceptível as diferenças de qualidade da imagem. Então, qual é a vantagem?

Todo fotografo digital já trabalhou com os ajustes de curvas e tons em seu programa favorito de tratamento de imagens. Quando olhamos para o histograma, percebemos que à medida que fazemos alterações na imagem, ele fica mais parecido com um código de barras. Todo o processo de manipulação envolve a perda de algumas informações tonais da imagem. As imagens de 12-bit e de 14-bit por sua vez, têm muito mais informação tonal em cada arquivo, permitindo que os ajustes produzam menos perdas. As imagens produzidas em 14-bit, depois de manipuladas, apresentam uma gradação tonal mais nítida e suave do que em imagens de 12-bit.

Comparação de histogramas


Dir – imagem 8-bit
Esq – Imagem 14-bit

Assim, se você é um fotografo que precisa constantemente tirar todas as suas fotos em RAW e submetê-las a uma grande quantidade de tratamentos, o novo conversor A/D 14-bit é mais indicado, pois tem a capacidade de gerar imagens finais com melhor qualidade e gradação tonal. Mas se você é um fotografo que produz a maioria de seu trabalho em JPEG, não se preocupe em investir em um novo equipamento tão cedo.

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Enviado em: 16 dez 08

Categoria: Tutoriais

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Em meio a tantos lançamentos do mercado fotográfico, poucos podem ser considerados como verdadeiras revoluções digitais. Entenda o que são processadores de imagens e como eles interferem na sua fotografia.

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